arte.lisboa

Ousara

Ousara passar-se lenta a Primavera
escorrendo  hora a hora
os rios que brotam
do ventre adormecido,
que inundam de palavras as páginas,
versos soltos,
e a Primavera que se demora devagar,
a chuva entre nossos olhos,
cinzentos pálidos desbotados,
o grito da minha mãe,

ousassem eles sonhassem
soubessem eles
calar secar as gaivotas que
nos trazem as madrugadas,
e as formas que
se desenham sóbrias
sob a ingenuidade das nossas mãos.

Regina Nogueira
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Um só rumor

acredita em mim: é só um rumor:
não sei escrever o vento, nem como se nasce outra vez.

nunca soube como se tece no piano a face vazia do tempo.

por favor, não perguntes:
pois eu não sei como germina um poema,
nem quantos dias cabem no teu rosto.

E como se conjuga a cidade e o adeus?

Perguntas, mas eu não sei o que é a morte.

Ricardo Gil Soeiro

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