Ousara
Ousara passar-se lenta a Primavera
escorrendo hora a hora
os rios que brotam
do ventre adormecido,
que inundam de palavras as páginas,
versos soltos,
e a Primavera que se demora devagar,
a chuva entre nossos olhos,
cinzentos pálidos desbotados,
o grito da minha mãe,
ousassem eles sonhassem
soubessem eles
calar secar as gaivotas que
nos trazem as madrugadas,
e as formas que
se desenham sóbrias
sob a ingenuidade das nossas mãos.
Regina Nogueira
____________________________________________________________________________________________
Um só rumor
acredita em mim: é só um rumor:
não sei escrever o vento, nem como se nasce outra vez.
nunca soube como se tece no piano a face vazia do tempo.
por favor, não perguntes:
pois eu não sei como germina um poema,
nem quantos dias cabem no teu rosto.
E como se conjuga a cidade e o adeus?
Perguntas, mas eu não sei o que é a morte.
Ricardo Gil Soeiro
Pingback: Heduardo Kiesse – Fotografia « Filhos do Diabo
Pingback: Edição de Abril do Folhetim já disponível! « Filhos do Diabo
Pingback: Edição de Março do Folhetim já disponível! « Filhos do Diabo